sexta-feira, 14 de outubro de 2011

FIRST IMPRESSIONS

Dizem que a primeira impressão é a que fica.  Em termos de livros, essa é uma verdade. O nosso primeiro comentário vai para um dos livros mais comentados ao longo dos séculos. Trata-se de "First impressions"  ("Primeiras Impressões"). Não reconhece o título? Não se preocupe. Isso se deve ao fato de que o título citado anteriormente foi o primeiro dado pela autora ao seu manuscrito. Manuscrito, diga-se de passagem, recusado inicialmente para publicação. Você o conhece: "Pride and prejudice" ("Orgulho e Preconceito"), da inglesa Jane Austen.
Embora não tenha sido o primeiro livro publicado por Jane, certamente é o seu mais famoso e uma verdadeira obra prima da literatura universal. A primeira linha do romance ("É uma verdade universalmente aceita que um homem de certa fortuna precisa de uma esposa...") é muito conhecida e muito parodiada.
Li este livro quando eu era adolescente, com meus treze ou quatorze anos. Era uma edição comum, talvez mal traduzida. Mas o texto ficou impregnado na minha mente. Voltei a ter contato com a obra muitos anos depois, já adulta, quando "descobri" que Austen tinha escrito vários outros livros. Li-os. Nenhum, nenhum mesmo me deliciou - e delicia - como P&P. 
Sei que não estou sozinha nessa paixão. Leio "fanfics", sequências, blogs e comentários sobre o livro. Mas, afinal, o que faz com que P&P  suscite tanta paixão? Por que o principal personagem masculino, mr. Darcy, já foi considerado o ideal romântico de muitas mulheres?
Penso que há dois fatores a serem considerados: o primeiro é o fato de que todos nós já fomos enganos por "primeiras impressões" a respeito de alguém ou alguma coisa. Quem nunca pré-julgou outro ser humano e depois, para vergonha própria, descobriu que estava errado? Pois Darcy e Lizzie são os melhores exemplos desse comportamente. Ele a julga insípida, inferior a ele. Ela o julga arrogante e sem coração. Ambos estão enganados. E aí surge, no meu entender, a segunda razão para o sucesso da obra: eles conseguem permitir que seus pré-julgamentos sejam deixados de lado e abrem os olhos para o mundo de possibilidades da convivência amorosa de um com o outro. Nesse ponto, muitos de nós ficamos atrás dos personagens: é muito difícil abrir os olhos para quem é diferente da gente, para quem julgamos irremediavelmente oposto ao que gostamos e valorizamos. E nessa teimosia, nos empobrecemos em nossa experiência de vida.
Se você ainda não leu, comece. "P&P"  tem muito a dizer.   

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